SECAS COMO NEVES PERENES

No auditório, rostos a relembrar-me os anos 80, quando para aqui trouxemos Celso, para nos falar das perspectivas que tínhamos para a região nordestina.
No hall do edifício, em noite de autógrafos, recebo de Rosa Furtado, organizadora do livro, em suas 568 páginas, amáveis palavras: "Para o caro Marcondes Rosa, companheiro de tantas lutas de Celso, com o abraço de Rosa d-Aguiar Freire Furtado".
Tudo ali me fez voltar, pró-reitor de extensão da UFC, Violeta Arraes dando-me conta de Celso então retornando ao País. Telefone à mão, convido-o para que, nos Encontros Culturais, nos falasse das perspectivas que tínhamos para o Nordeste. No aeroporto, encontro, acompanhando a plêiade dos então "jovens empresários do CIC" (Centro Industrial do Ceará), o governador Gonzaga Mota, à espera de conferencista não vindo. Celso pactuamos que por lá passaria, atraindo muitos para a UFC.
Na palestra, Celso advoga o crescimento econômico a se metamorfosear em desenvolvimento: o projeto social dando prioridade à efetiva melhoria das condições de vida da população."As secas, parte da realidade nordestina, como as neves são parte do mundo dos esquimós."
Lamenta o declínio da Sudene, cujo superintendente, a seu tempo, participava da política econômica e financeira do País, membro de pleno direito do Conselho Monetário Nacional.
Em suas palavras, "deixaremos de ser vistos com complacência ou como reserva de caça para aventureiros políticos". E "recuperaremos o papel que já nos coube na condução dos destinos nacionais".
marcondesrosa@gmail.com