Suaveolens

Este blog foi criado por um cearense apaixonado por plantas medicinais e por sua terra natal. O título Suaveolens é uma homenagem a Hyptis suaveolens uma planta medicinal e cheirosa chamada Bamburral no Ceará, e Hortelã do Mato em Brasília. Consultora Técnica: VANESSA DA SILVA MATTOS

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Local: Brasília, Distrito Federal, Brazil

Cearense, nascido em Fortaleza, no Ceará. Criado em Ipueiras, no mesmo estado até os oito anos. Foi universitário de agronomia em Fortaleza e em Recife. Formou-se em Pernambuco, na Universidade Rural. Obteve o título de Mestre em Microbiologia dos Solos pelo Instituto de Micologia da Universidade Federal de Pernambuco. Também obteve o Mestrado e o Doutorado em Fitopatologia pela Universidade de Brasília. Atualmente é pesquisador colaborador da Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária da Universidade de Brasília.

1.3.09

HINO CLANDESTINO

Por
Carol Nogueira


Palavra que, quando inventei de escrever sobre a bandeira do Distrito Federal, não imaginava que ia causar tamanha polêmica – mas confesso que me diverti muito com ela. Só esclareço para que não pairem dúvidas sobre minhas intenções, ao falar agora do hino do Distrito Federal. Não quero levantar discussões acaloradas – mas não vou achar ruim se vocês se animarem a elas.
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Isso para dizer que, por pouco original que pareça, eu também não sinto nada pelo hino oficial do DF. Mas agora vou mais longe: ouso dizer que você, caro leitor, também não. E não só porque hinos em geral são desconhecidos, meio aborrecidos, meio foras-de-moda. Mas porque mesmo quem acha que conhece o hino do DF provavelmente acha errado.
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Acontece com o hino de Brasília um fenômeno bem parecido com aquele do hino do Flamengo: a música que todo mundo canta achando que é o hino, “uma vez Flamengo, sempre Flamengo”, não é. No fundo, no fundo, não faz a menor diferença, porque todo mundo continua cantando. E o hino mesmo, oficial, “Flamengo, Flamengo, sua glória é lutar”, continua sendo o hino oficial, mas e daí ? Pouca gente conhece, ninguém gosta de cantar no estádio. A oficialidade que ele tem não o faz nem um centímetro mais querido.
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O hino do DF para valer, reconhecido por lei e tudo, diz assim que “todo o Brasil vibrou, uma nova luz brilhou”, e por aí vai. Foi criado pela maestrina Neusa França e pelo poeta Geir Campos, passou pelo rigoroso crivo de uma comissão especial constituída pelo Ministério da Educação e da Cultura, em 1960, e publicado em decreto, virou hino oficial em 1961.
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Acontece que, nessa mesma época, um radialista, violeiro e compositor caipira muito do empolgado, emocionado com aquela história toda de nova capital, decidiu compor também sua musiquinha sobre Brasília. Ele, nascido Ariovaldo Pires, já transformado em Capitão Furtado, o nome artístico que adotou ao longo da vida, compôs ao lado do maestro italiano Enrico Simonetti a melodia que ficou conhecida como “Brasília, capital da esperança”. Não é o nosso hino oficial, mas é como se fosse. E desse, sim, eu gosto.
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Devo ter herdado pelo sangue o sentimento que meus pais carregavam quando chegaram por aqui, vindo cada um de um canto do país, lá pelos finais dos anos 1960. Esperança, essa era a palavra – e a música do Capitão Furtado traduzia esse sentimento com perfeição. Me acostumei desde pequena a ouvir esses versinhos em uma versão que é a cara daquela época: o barulho da agulha passeando pelo LP, o tom empostado da voz, os erres vibrados que só quem nasceu na primeira metade do século passado consegue empregar. Não sei se é saudade infantil ou se a musiquinha é boa mesmo, o fato é que esse hino me transmite um civismo brasiliense.
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Fiquei feliz de perceber que não sou a única a simpatizar mais com o hino clandestino que com o oficial – até na página do GDF, onde as duas músicas aparecem vizinhas, “Brasília, capital da esperança” é descrito como o “hino mais popular e mais interpretado”. Essa gravação que segue aí embaixo é exatamente a mesma que eu ouvi durante toda a minha infância, nas manhãs de quarta-feira, assistindo o hastear das bandeiras, de lancheira na mão e mochila nas costas.
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Não é o hino oficial de Brasília, mas quem se importa? Para mim, é.
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Foto do Palácio do Burití:
site arpdf.df.gov.br/sites/200/226/palacio.jpg
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Carolina Nogueira é jornalista e mora há dois anos em Paris. Em Brasília, ela foi repórter do Correio Braziliense e do Jornal do Brasil e hoje é servidora licenciada da TV Câmara. Mãe dos gêmeos João e Pedro, faz mestrado em literatura lusófona na Sorbonne. Ela tem um blog chamado Le croissant. (Fonte curricular de Carol: Blog do Noblat)

4 Comentários:

Blogger Jean Kleber Mattos disse...

Uma grande honra ter o artigo da brilhante jornalista Carol Nogueira em nosso blog. O tema é palpitante. Sobre hinos, cabe comentar que os cariocas conseguiram emplacar o ‘Cidade Maravilhosa”, cantado e querido por todos, como hino oficial. O hino de Piracicaba, em São Paulo, é uma poética e linda toada. Galvaniza a todos quando executada. Mas o hino oficial de Brasília, convenhamos, quase ninguém por aqui sabe a letra e nem a música. Ele não nos galvaniza. Ele nos broxa. Parabéns, Carol!

1.3.09  
Anonymous Tereza Mourão disse...

Excelente matéria desta brilhante e jovem jornalista Jean, e muito interessante também. Estou em Brasilia há mais de 30 anos, tenho dois filhos brasilienses mas nunca tinha ouvido o hino do DF e nem tinha conhecimento desta polêmica.
Parabéns e muito sucesso profissional para Carol, tanto no Brasil como no exterior.
Tereza Mourão

1.3.09  
Blogger Dalinha Catunda disse...

Olá Jean,
Bem interessante mesmo o caso dos hinos aficiais e dos adotados.
São essas curiosidades e a variedade de assuntos que tornam o Suaveolens um dos meus blogs preferidos.
Um abraço,
Dalinha

2.3.09  
Blogger Tânia Lúcia disse...

o artigo da Carolina foi ótimo. também sempre conheci esta versão antiga do "Hino de Brasília" a outra oficial só conheci há uns dois anos atrás, esquecida em um dos vários cds que temos na escola. sou professora e vou ensinar esta música na escola , aproveitando as comemorações do aniversário.Quem sabe não conseguimos "emplacar" a música e fazer realmente de Brasília a capital da esperança. um abraço. Tânia Lúcia

12.4.10  

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