Suaveolens

Este blog foi criado por um cearense apaixonado por plantas medicinais e por sua terra natal. O título Suaveolens é uma homenagem a Hyptis suaveolens uma planta medicinal e cheirosa chamada Bamburral no Ceará, e Hortelã do Mato em Brasília. Consultora Técnica: VANESSA DA SILVA MATTOS

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Local: Brasília, Distrito Federal, Brazil

Cearense, nascido em Fortaleza, no Ceará. Criado em Ipueiras, no mesmo estado até os oito anos. Foi universitário de agronomia em Fortaleza e em Recife. Formou-se em Pernambuco, na Universidade Rural. Obteve o título de Mestre em Microbiologia dos Solos pelo Instituto de Micologia da Universidade Federal de Pernambuco. Também obteve o Mestrado e o Doutorado em Fitopatologia pela Universidade de Brasília. Atualmente é pesquisador colaborador da Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária da Universidade de Brasília.

23.9.08

UM POSTAL ESQUECIDO

Por
Bérgson Frota

Um dia num sebo, folheando um livro, caiu-me aos pés um pequeno postal já gasto pelo tempo. Abaixei-me e colhi, colocando-o de novo dentro do livro e rápido devolvendo-o à estante metálica.

No entanto alguma coisa me chamou atenção naquele postal. Levei-o ao livreiro, mostrei interesse pelo livro e o postal que nele havia. Vendeu-me os dois juntos. Resolvi então procurar saber afinal aonde era aquele bonito Palacete. Parecia-me ser um desenho futurístico, mas e o catavento antigo ao lado ?

Comecei a pesquisar, e logo me chegaram dados. Era um grande casarão construído em Fortaleza, no início do século XX, mas já havia sido demolido.

A história que segue, embora resumida, foi a por mim encontrada :
No início do século XX, Plácido de Carvalho era um bem sucedido comerciante e industrial em Fortaleza, isso nas duas primeiras décadas do século até a metade da década de trinta.

Em 1916, viajando pela Europa veio a conhecer em Paris, Maria Pierina Rossi, uma italiana de Milão, que apesar de apaixonada recusava-se a vir morar no Brasil. Ele porém, também muito apaixonado, prometeu construir para ela em Fortaleza, uma cópia de um belo palácio que ambos viram em Veneza. Com a promessa, ela concordou, chegando a Fortaleza no ano seguinte.

Logo começaram os preparativos para a obra.

Para construção o bairro escolhido foi o Outeiro, já conhecido como Aldeota. Quanto ao construtor, há dúvidas, muitos apontam o feito ao irmão de Pierina, Natali Rossi, este sim foi o arquiteto do Excelsior Hotel. Mas o Palácio do Plácido foi certamente obra do Sr. João Sabóia Barbosa, artista plástico e excelente engenheiro eletricista diplomado em Liverpool, Inglaterra.

O palácio foi erguido entre as ruas Carlos Vasconcelos e Monsenhor Bruno, tendo como cruzamento das duas a Av. Santos Dumont. Foram usados mármores e vitrais importados, bem como raras madeiras brasileiras. Exibindo estilo rico e eclético, a decoração encantava e chamava atenção. Era cercado de jardins com roseiras e plantas nativas, e possuía duas bem trabalhadas fontes.

Depois de dois anos de meticulosos esforços a obra finalmente foi inaugurada em 1921.

Em torno do Palácio do Plácido como passou a chamar-se ou para os mais excêntricos Palacete Plácido de Carvalho, foram construídos pequenos chalés, a servirem de moradia aos serviçais da imponente construção.

Após a morte do esposo, em 1934, Pierina que já morava desde 1933 no Excelsior Hotel, casou-se com o arquiteto húngaro Emílio Hinko, amigo de Plácido, que a pedido dela desenhou e construiu em 1938, em torno do palácio seis palacetes, para que servissem de aluguel. Todos ainda existentes.

O palácio então foi alugado, e lá passou a funcionar o Serviço de Malária, departamento federal que equivale a Sucam.

Em 1957 morre Maria Pierina, e na década seguinte Zaíra, filha e única herdeira, vende o palácio a um grupo comercial local, que no início dos anos 70 faz a demolição do mesmo para a construção de um supermercado, no entanto o terreno ficou abandonado.

Em decorrência de dívidas para com o Poder Público, fez-se a quitação da mesma passando o terreno para o Governo do Estado que lá construiu e hoje está o Centro de Artesanato Luíza Távora.

Quanto ao Palácio do Plácido, este ficou no passado, num velho postal, na lembrança dos que um dia o viram ou nele entraram, contemplando a beleza de sua torre, de suas janelas e belas escadas a quase dobrar-se, dos seus jardins e suas fontes. Um pedaço do passado agora transferido para livros ou fotos raras. A cumprida promessa de um homem apaixonado que o tempo impiedosamente levou.

Créditos da foto do postal : (http://www.skyscrapercity.com/)
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Bérgson Frota, escritor, contista e cronista, é formado em Direito (UNIFOR), Filosofia-Licenciatura (UECE) e Especialista em Metodologia do Ensino Médio e Fundamental (UVA), tem colaborado com os jornais O Povo e Diário do Nordeste, desenvolvendo um trabalho por ele descrito de resgate da memória cultural e produzindo artigos de relevância atual.

6 Comentários:

Blogger Jean Kleber disse...

O Palácio do Plácido sempre me fascinou. Finalmente tive a chance de postar uma boa crônica sobre ele, com uma ilustração ímpar e rara. O cartão postal perdido no tempo. Parabéns professor Bérgson e obrigado.

23.9.08  
Blogger Dalinha Catunda disse...

Muito interessante o trabalho de Bérgson.
Um postal perdido a dar inicio a um belo relato.Cada vez que lemos um texto de Bérgsom adquirimos mais um pouco de cultua.
Um abraço,
Dalinha

23.9.08  
Anonymous Anônimo disse...

Muito bom e um resgate e tanto do século XX. Parabéns Bergson, gostei muito.
Tereza Mourão

23.9.08  
Anonymous Anônimo disse...

MARIA ALICE DISSE

O que eu acho mais interessante é o descaso com que as pessoas da nossa "terrinha"(Ipueiras) tratam os trabalhos do professor Bérgson. Conta-se a dedos os que com coragem comentam e mandam força. O último dele teve comentário de gente até de fora do estado. Parabéns professor por mais um belo artigo, santo de casa não faz milagre talvez tenha até sido um designo de Deus ter lhe feito nascer no Ipú, as vezes o próprio lugar parece não merecer quem de lá fala e destaca.

26.9.08  
Anonymous Anônimo disse...

BÉRGSON FROTA DISSE:

Cara Maria Alice, agradeço seu comentário, pediria somente que tivesse mais cuidado com o conteúdo pois ninguém no blog é obrigado a comentar os artigos e trabalhos que se envia e nele divulgam, muitas vezes fazem a leitura e isso já me satisfaz. É necessário que se respeite a escolha e liberdade de opinião de cada um, quanto ao meu outro trabalho que foi muito comentado, isso se deu mais ao caráter universal da matéria, ou seja um desfile pátrio, no caso de uma cidade interiorana do Brasil e a nostalgia de bons amigos, que só o enriqueçeram ao comentá-lo.

26.9.08  
Anonymous Anônimo disse...

Bérgson seu trabalho tem sido solitário, acompanho-o desde o começo, mas não esqueça as tempestades de inveja, que são muitas. Faça seu trabalho sem esperar a chuva. Um dia pessoas já distantes terão com a mente limpa a capacidade de valorizar o trabalho de sua seara.

2.10.08  

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