Suaveolens

Este blog foi criado por um cearense apaixonado por plantas medicinais e por sua terra natal. O título Suaveolens é uma homenagem a Hyptis suaveolens uma planta medicinal e cheirosa chamada Bamburral no Ceará, e Hortelã do Mato em Brasília. Consultora Técnica: VANESSA DA SILVA MATTOS

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Cearense, nascido em Fortaleza, no Ceará. Criado em Ipueiras, no mesmo estado até os oito anos. Foi universitário de agronomia em Fortaleza e em Recife. Formou-se em Pernambuco, na Universidade Rural. Obteve o título de Mestre em Microbiologia dos Solos pelo Instituto de Micologia da Universidade Federal de Pernambuco. Também obteve o Mestrado e o Doutorado em Fitopatologia pela Universidade de Brasília. Atualmente é pesquisador colaborador da Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária da Universidade de Brasília.

29.8.09

FORTALEZA NA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL

Por.
Bérgson Frota
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Há exatamente setenta anos atrás, precisamente em setembro de 1939, iniciava-se na Europa a Segunda Grande Guerra.
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Fortaleza que sempre se guiou, seja na moda e nas idéias por sua fonte européia observava com atenção e receio os fatos que se desenrolavam no Velho Mundo.
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Com o início do bombardeio de cidades e a guerra se estendendo para o norte da África, o receio tornou-se medo.
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Era o ano de 1941, e Fortaleza temia também vir a se tornar um alvo de ataque aéreo, em virtude disso criou um programa de treinamento denominado “defesa passiva”.
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Na época a cidade tinha uma população estimada em 180.185 habitantes, e o medo vindo pelas notícias da Europa criava um clima de ansiedade e desassossego, despreparo e desinformação.
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Em agosto de 1942 o Brasil entrou na guerra junto aos aliados.
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As regiões do Nordeste brasileiro passaram a ser pontes à aviões norte–americanos que partiam para atacar o continente próximo. Porém a virada de perspectiva em Fortaleza se deu quando Natal por já está muito congestionada, fez surgir em Fortaleza mais uma base de ataque em direção à África.
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Agora mais do que nunca Fortaleza sentiu a necessidade de criar uma proteção eficaz, pois se via de fato sujeita aos ataques aéreos.
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Em 26 de janeiro de 1943 o jornal O Povo noticiava “foi realizado domingo, na zona fabril de Fortaleza, o segundo exercício de defesa pacífica antiaéreo, promovido pela diretoria regional...”
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Às 9h30min precisamente, os bombeiros que se localizavam na torre de comando do quartel, no edifício da Praça Fernandes Vieira (Praça do Liceu), anunciaram a aproximação dos aviões inimigos. A medida era tida como necessária para “preservar” a cidade de possíveis ataques por submarinos.
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As sirenes soaram o alarme. Os aparelhos do aeroclube do Ceará, em número de quatro, sobrevoaram a zona visada, “atacando” de preferência, os prédios do Liceu e do Corpo de Bombeiros.
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Treinamentos diários de sobrevivência eram realizados com a população. Cada simulação de bombardeio realizada pelos monomotores do aeroclube do Ceará, faziam os fortalezenses entrarem em pânico.
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Em vôos rasantes durante 30 minutos as Praças do Ferreira, José de Alencar e Praça do Liceu eram riscadas por aviões em rápidas manobras.
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O pânico não saía do imaginário dos habitantes.
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O “setor civil” orientava as famílias para pintarem de preto as vidraças das janelas e portas, impedindo que à noite a cidade ficasse vulnerável, principalmente as residências mais próximas da orla marítima
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Estas aeronaves que faziam seus vôos noturnos, não tinham luzes de navegação por serem antigas, ocorria então se amarrar lanternas nas montantes dos aviões para evitar possíveis colisões.
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Sirenes eram acionadas e o povo corria para se abrigar se caso estivessem na zona “atacada”.
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Para defender a cidade ainda foram transferidos para o farol do Mucuripe (farol velho) doze canhões da marca Krupp, com a finalidade de revidar e intimidar possíveis submarinos, tinham alcance médio de dois mil metros e sua serventia só seria de fato eficaz em luta terra-a-terra.
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Assim foi Fortaleza na Segunda Guerra Mundial, descrita numa narrativa que hoje pode até nos soar ridícula, lembremos porém que o medo e a insegurança reinantes na época geraram reações que não mediam lógica ou crítica, pesavam somente e tão somente o instinto mais forte e primário do ser humano : a sobrevivência.
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– Foto : Fortaleza início da década de 1940 – Foto Nirez
- Artigo publicado no "O Povo" em 29.08.2009
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Bérgson Frota, escritor, contista e cronista, é formado em Direito (UNIFOR), Filosofia-Licenciatura (UECE) e Especialista em Metodologia do Ensino Médio e Fundamental (UVA), tem colaborado com os jornais O Povo e Diário do Nordeste, desenvolvendo um trabalho por ele descrito de resgate da memória cultural e produzindo artigos de relevância atual.

4 Comentários:

Blogger Jean Kleber Mattos disse...

Trabalho de pesquisador. Bérgson Frota, escritor, contista e cronista nos brinda com uma página de grande importância e originalidade. Parabéns.

29.8.09  
Blogger Dalinha Catunda disse...

Olá Jean Kleber,
Que bom ter O Bérgson de volta, com seus temas sempre muito interessantes e informativos.
Meu abraço aos dois,
Dalinha

30.8.09  
Anonymous Benone Soares disse...

Parabéns pela pesquisa, na verdade eu nem imaginava que isso tinha acontecido aqui. Nota 10.

31.8.09  
Anonymous Marcilano Lopes disse...

Guerra, segunda guerra meu, eu dei maior valor saber sobre estes fatos daqui, imagina a cidade a noite com medo do Hitler.

31.8.09  

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