Suaveolens

Este blog foi criado por um cearense apaixonado por plantas medicinais e por sua terra natal. O título Suaveolens é uma homenagem a Hyptis suaveolens uma planta medicinal e cheirosa chamada Bamburral no Ceará, e Hortelã do Mato em Brasília. Consultora Técnica: VANESSA DA SILVA MATTOS

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Local: Brasília, Distrito Federal, Brazil

Cearense, nascido em Fortaleza, no Ceará. Criado em Ipueiras, no mesmo estado até os oito anos. Foi universitário de agronomia em Fortaleza e em Recife. Formou-se em Pernambuco, na Universidade Rural. Obteve o título de Mestre em Microbiologia dos Solos pelo Instituto de Micologia da Universidade Federal de Pernambuco. Também obteve o Mestrado e o Doutorado em Fitopatologia pela Universidade de Brasília. Atualmente é pesquisador colaborador da Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária da Universidade de Brasília.

5.3.18

MEMÓRIAS – CAPÍTULO 4 - O MISTÉRIO DOS PESQUISADORES DESAPARECIDOS



MEMÓRIAS – CAPÍTULO 4 - O MISTÉRIO DOS PESQUISADORES DESAPARECIDOS

Em 1979 resolvemos, eu e minha mulher, viajar de fusca de Brasília até Itabuna para comparecermos ao XII Congresso Brasileiro de Fitopatologia, onde apresentaríamos os trabalhos “Uso de Fensulfotion para o controle do nematódeo das galhas Meloidogyne spp” e “Efeitos de plantas invasoras sobre a infecção do nematódeo das galhas Meloidogyne spp.” Naquela época os congressos de fitopatologia se davam no mês de fevereiro em pleno período das águas. Chovia bastante no Brasil naquele momento. Minha sogra advertiu-nos sobre os perigos de tal viagem. Mesmo assim, resolvemos arriscar.
Algum tempo depois que deixamos Brasília enfrentamos muita chuva e estradas esburacadas. Felizmente o fusca aguentava firme. No segundo dia de viagem a chuva amainou e o sol se fez presente. A rotina de quem viaja pelas estradas do Brasil se cumpria. Restaurantes de beira de estrada, postos de gasolina BR com lanchonetes, paisagens bonitas e as grande retas da rodovia Rio-Bahia.
Em dado momento percebi que o combustível estava na reserva. Parei num posto policial e perguntei ao patrulheiro.
- Tem posto de gasolina próximo daqui? Eu já estou na reserva.
- Posto tem. Só não vai ter é estrada. O rio lá na frente transbordou e cobriu tudo. Está tudo parado lá!
Logo chegamos ao local. De fato, de longe dava para ver os carros parados. Era um trecho da estrada que formava um largo à beira do rio. Até um pequeno comercio havia. Foi lá que encontramos quatro colegas da Universidade Federal de Viçosa, que estavam viajando num Passat. Os motoristas de carros de passeio e de caminhões estavam todos fora dos carros conversando. Um patrulheiro de vez em quando entrava na água com uma varinha e fazia a medição para ver se o nível já estava baixando. Em dado momento ele anunciou:
- Para caminhão já podemos liberar!
Neste momento vimos um caminhão cegonheiro vazio. Logo tivemos a ideia de colocar nossos carros na carroceria do caminhão para atravessar a água. Pagamos uma grana para o caminhoneiro, ele baixou a rampa e alguns motoristas além de nós e dos colegas de Viçosa, aderiram.
Já do outro lado, ganhamos a estrada. Os colegas da UFV sempre à nossa frente com boa dianteira. Quando chegamos a Teófilo Otoni, os colegas pararam para combinar algo conosco.
- Vocês agora vão na frente. Vamos partir daqui a pouco. Uns dez quilômetros depois da saída da cidade, do lado direito da estrada, há um posto de gasolina. A gente se encontra lá daqui a meia hora. Certo?
Combinamos assim e fomos em frente. Encontramos o tal posto e paramos para abastecer. Decorrida uma hora de espera começamos a ficar apreensivos. Os mineiros não chegavam. Retornei na estrada até Teófilo Otoni e nada. Nem sinal deles.
Lembrei que eles haviam dito que iriam pernoitar no motel que fica na divisa Minas-Bahia. Fomos para lá, pernoitamos e pela manhã vasculhei o estacionamento do motel em busca do Passat de Viçosa. Nada.
Resolvemos seguir em frente e na hora do almoço chegamos a Ilhéus, na sede do congresso. Perguntamos pelos colegas e ninguém os tinha visto. Relatamos nossa preocupação com o desaparecimento e os organizadores do evento ficaram atentos aos acontecimentos.
À noite teve início o coquetel de boas vindas e todos no coquetel comentavam sobre o fenômeno. Já havia se passado uma hora do início do coquetel quando os colegas sumidos entraram no recinto. Comemorações.
Enchemos os mineiros de perguntas. Eles contaram que tão logo eu havia partido de Teófilo Otoni, o Passat deles caíra num buraco e quebrara o “facão”. Precariamente chegaram a uma oficina e o mecânico prometeu que o carro estaria pronto no dia seguinte. Eles pernoitaram em Teófilo Otoni.
Mas não foi apenas esse fato que marcou aquele congresso. O presidente, Dr. Geraldo, também de Viçosa, ao partir de Minas em demanda de Ilhéus colocara a mala no bagageiro sobre o carro. A mala continha roupas, a documentação acadêmica, e as cópias dos resumos que seriam apresentados (naquela época nós levávamos cópias dos resumos para distribuir). Numa curva da estrada, na saída de Viçosa, a força centrífuga lançou longe a mala. Na primeira parada para abastecer, o colega deu por falta da mala. Sem as roupas e sem a documentação, não compensava ir ao congresso. Ele deu meia volta e regressou à Viçosa. Dois dias depois um primo dele fez contato dizendo que não estava entendendo o que fazia uma mala de Geraldo com pertences e papéis, no chão em frente à porteira da fazenda dele. A física explica. A porteira da propriedade ficava em frente a uma curva da estrada federal. Ao fazer a curva, certamente em alta velocidade, a mala se desprendera das amarras e caíra próximo à porteira. Coincidência fantástica, justamente a porteira da propriedade do primo dele.
Coisas da vida...Mágicas da vida...

O QUASE NAUFRÁGIO DA FITOPATOLOGIA

Em 1979 ocorreu o XIX Congresso Brasileiro de Olericultura em Florianópolis, Santa Catarina. Os organizadores resolveram incrementar o coquetel de boas vindas e o programaram para se dar em um iate. À noite chegamos ao porto e logo de cara ficamos impressionados com o tamanho do barco. Os convidados adentraram animadamente e quando pensávamos que a embarcação ficaria ali mesmo, o capitão deu a ordem de levantar âncora. Iniciou-se então uma pequena viagem pela baía. Fomos tomando distância e não demorou muito para a cidade resumir-se a uma linha de luzes das casas da orla. O barco tinha dois pavimentos e estava lotado. Um colega nosso Peter Sonnenberg, da Universidade de Goiás, percorreu os dois andares e segredou-me:
- Esse barco não pode afundar...simplesmente toda a Olericultura está aqui !
E completou:
- A começar pela manchete no dia seguinte...o povo ia perguntar: o que é olericultura?
Tivemos sorte. O coquetel foi um sucesso e voltamos em total segurança.
Ventura igual não tiveram nossos colegas da fitopatologia em Salvador na Bahia em 1988, durante o XXI Congresso Brasileiro de Fitopatologia. No segundo dia do congresso, um grupo de colegas resolveu fazer a famosa viagem marítima Salvador-Itaparica, uma atração turística considerada imperdível à época.
Na saída do hotel, o grupo encontrou Charles Robbs, nosso melhor bacteriologista que praticava pesca esportiva no mar do Rio de Janeiro.
- Estão indo para onde?
- Vamos de barco à ilha de Itaparica...
Robbs olhou para as nuvens e ponderou:
- Com esse tempo? Está me parecendo tempo de viração...
Os entusiasmados turistas fizeram ouvido de mercador e partiram para a pequena viagem marítima.
Robbs estava certo. Logo no início da viagem o tempo virou e o barco começou a jogar e depois a oscilar perigosamente. A assistente do capitão consultou-o sobre a conveniência de voltar imediatamente ao porto. Ele acenou que sim. Nosso colega Peri, um gaucho valente, berrou:
- Eu paguei até Itaparica ! Esse barco tem que ir até Itaparica !
Os assustados passageiros devem ter pensado por um momento em lança-lo ao mar. O barco iniciou o regresso ao porto. A essa altura a embarcação parecia uma casca de noz em meio às águas revoltas. O colega Gilson relatou-me depois, que a esposa dele fechou os olhos e recusava-se a abri-los novamente. Meu colega Julio da Ponte contou-me que sua esposa havia resolvido deixar o convés e entrar para o fundo do barco, acreditando que em não vendo as ondas não passaria tão mal. Não demorou ressurgiu no convés e gritou:
-Júlio, a coisa está fora de controle !
Ao que Júlio respondeu:
- Querida, quando esse barco chegar ao porto eu vou beijar a terra como faz o papa João Paulo!
Todos oravam aflitos e várias pessoas vomitavam. Em sua narrativa, Júlio da Ponte utilizou um termo bem nordestino: ...algumas pessoas estavam “provocando” !
Ao me contar a aventura, Gilson comentou:"Eu pensava que era o maior machão até àquele dia...! Quase borro as calças !"
Enfim chegaram a Salvador e todos respiraram aliviados, prometendo dali em diante seguir os conselhos de mestre Robbs.

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