Suaveolens

Este blog foi criado por um cearense apaixonado por plantas medicinais e por sua terra natal. O título Suaveolens é uma homenagem a Hyptis suaveolens uma planta medicinal e cheirosa chamada Bamburral no Ceará, e Hortelã do Mato em Brasília. Consultora Técnica: VANESSA DA SILVA MATTOS

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Local: Brasília, Distrito Federal, Brazil

Cearense, nascido em Fortaleza, no Ceará. Criado em Ipueiras, no mesmo estado até os oito anos. Foi universitário de agronomia em Fortaleza e em Recife. Formou-se em Pernambuco, na Universidade Rural. Obteve o título de Mestre em Microbiologia dos Solos pelo Instituto de Micologia da Universidade Federal de Pernambuco. Também obteve o Mestrado e o Doutorado em Fitopatologia pela Universidade de Brasília. Atualmente é pesquisador colaborador da Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária da Universidade de Brasília.

16.9.14

NEM FREIRA NEM MERETRIZ


NEM FREIRA NEM MERETRIZ
Por

Dalinha Catunda
*
Minha mãe me abençoou
E recomendou Juízo,
E foi assim que deixei
Um dia meu paraíso.
*
A chuva de comentários
Inundou minha cidade.
Alguns até tinham pena.
Outros falsa piedade.
*
Agora quando me lembro
De rir eu tenho vontade 
Das fofoqueiras em festa,
Da falação na cidade.
*
- Do jeitinho que ela andava
Amiga pode apostar 
Com aquela saia curta
Era pro rabo mostrar!
*
-Ave Maria do céu!
É de família tão boa...
Mas não se deu ao respeito,
Vai virar mulher à-toa.
*
- Comadre bata na boca,
Você tem suas meninas.
- Mas não educo nenhuma
Para seguir certas sinas.
*
- Você já sabe da última,
Que a danada aprontou?
Namorou um desquitado,
E o pudor onde ficou?
*
Já viu? Está de barriga!
E ela nem é discreta,
Com aquela pança toda
Andando de bicicleta.
*
Sem ligar pra comentários
Vivi minha mocidade.
Era uma iniciante
Com aval da pouca idade
*
Nascida no interior
Onde reina a hipocrisia,
Onde os podres de família
Sob o tapete escondia.
*
Quem queria me guiar
Dar exemplos não sabia.
Assim vivi minha vida,
Conselho não recebia.
*
Não baixei minha cabeça,
E resolvi ser feliz.
Não entrei para conventos,
Nem me tornei meretriz.
*
Porém quando fui tangida,
De fato o mundo ganhei.
Peguei a estrada da vida,
Inventando a minha lei.
*
Sempre parava e pensava...
Que gente filha da puta!
Abarrotada de podres,
Olhando a minha conduta.
*
Feito uma rês desgarrada,
Levando cercas nos peitos.
Não deixei que me abatessem
Persegui os meus direitos.
*
Porém se eu não fosse abelha
E nem tivesse ferrão,
Estava mesmo lascada,
Penando pelo sertão.
*
Quem previu minha desgraça
Ferrou-se na previsão
Hoje me chama de exótica
E não praga do sertão.
*
Foto e versos de Dalinha Catunda

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