Suaveolens

Este blog foi criado por um cearense apaixonado por plantas medicinais e por sua terra natal. O título Suaveolens é uma homenagem a Hyptis suaveolens uma planta medicinal e cheirosa chamada Bamburral no Ceará, e Hortelã do Mato em Brasília. Consultora Técnica: VANESSA DA SILVA MATTOS

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Local: Brasília, Distrito Federal, Brazil

Cearense, nascido em Fortaleza, no Ceará. Criado em Ipueiras, no mesmo estado até os oito anos. Foi universitário de agronomia em Fortaleza e em Recife. Formou-se em Pernambuco, na Universidade Rural. Obteve o título de Mestre em Microbiologia dos Solos pelo Instituto de Micologia da Universidade Federal de Pernambuco. Também obteve o Mestrado e o Doutorado em Fitopatologia pela Universidade de Brasília. Atualmente é pesquisador colaborador da Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária da Universidade de Brasília.

12.7.11

O SOLITÁRIO MARA HOPE

Por
Bérgson Frota

Bem próximo da orla de Fortaleza está um grande cargueiro encalhado, recebendo sol, chuva, vento e a umidade marinha junto com pancadas constantes das ondas, aonde aos poucos e silenciosamente a maresia o vai destruindo, até o dia em que finalmente o mar o fará desaparecer para sempre.
É o Mara Hope, o solitário petroleiro.
Deixado ao sabor do tempo desde 1985, este navio recebeu muitos nomes e riscou os oceanos. Coube ao desejo de Netuno fincá-lo preso às areias diante do verde mar cearense que banha a orla e a servir mesmo por um século ou meio de uma atração que não deixa de retratar a solitária sina de um agora inerte cruzador de mares.
Poeticamente poderia ser visto como um capricho dos deuses prendê-lo, condenando ou a presenteá-lo a presenciar o progresso da capital cearense.

A título de imortalidade, no cinema o Mara Hope se eternizou na cena final do filme Bella Donna de Fábio Barreto (1998), quando a atriz americana Natasha Henstridge de sua proa, em ângulo fechado dá adeus a um jangadeiro ( Eduardo Moscovis ) que na fita acompanha o grande barco a se despedir.
Ainda hoje, mais desgastado, o grande cargueiro esporadicamente recebe visitantes que o escalam por uma escada metálica presa a parede do navio.
Nas noites de forte ressaca, fico às vezes a lembrar daquele barco escuro, esquecido e sem mais utilidade. Será que se move o velho cargueiro ? Existe sim um som de ranger ouvido como um gemido sentido, talvez de saudade do passado ou a chorar lamentando sua agora solidão.
Ao Mara Hope, onde já há muito tempo estive, dedico esta crônica com feliz saudade.

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Crédito das fotos : (navio) mardoceara.blogspot.com
(filme) filmkultura.hu


Bérgson Frota, escritor, contista e cronista, é formado em Direito (UNIFOR), Filosofia-Licenciatura (UECE) e Especialista em Metodologia do Ensino Médio e Fundamental (UVA), tem colaborado com os jornais O Povo e Diário do Nordeste, desenvolvendo um trabalho por ele descrito de resgate da memória cultural e produzindo artigos de relevância atual.

9 Comentários:

Blogger Jean Kleber disse...

Mais um primoroso trabalho de pesquisa do professor Bérgson Frota. Desfrutem.

12.7.11  
Anonymous Elenice Braga disse...

Uma crônica que nos encanta. Parabéns Bérgson.

15.7.11  
Anonymous Pedro Ailton disse...

Parabéns pelo trabalho amigo, quando estive em Fortaleza ví de longe o Mara Hope. Bela pesquisa.

16.7.11  
Anonymous Leni Bastos disse...

Parabéns pela crônica que faz uma homenagem ao Mara Hope, estive no navio há quinze anos e de lá saltei várias vezes ao mar. Pena que já esteja tão deteriorado.

18.7.11  
Anonymous Marciano disse...

Uma crônica de um navio que marcou época aqui em Fortaleza, nossa turma de pedagogia fez a despedida nele. Amei.

18.7.11  
Blogger Ponte das Crônicas disse...

Eu sou Carlos Pontes, um novarussense, cumprindo lembrar que Nova-Russas já foi distrito de Ipueiras. Portanto, sou também ipueirense.
Gostei das crônicas postadas por Bergson Frota.
Aquela dos cavalos de palhas de carnaúba me feizeram lembarar: "Eu também fiz isso".
Caro Bergson, tenho lá também umas cronicazinhas. Poderia publicá-las com vocês, claro se contar com a generosidade de vocês?
Abraços
Carlos Pontes

12.8.11

12.8.11  
Anonymous Bérgson Frota disse...

Agradeço pelos comentários ao meu trabalho, é a generosidade de vocês que me estimulam a não deixar de escrever e na medida do possível tocar os sentimentos. Gostaria de deixar mais claro a Carlos Ponte que para se publicar crônicas no blog Suaveolens, é necessário enviar o trabalho para o e-mail do Sr. Jean Kléber, uma pessoa muito acessível e com certeza lhe dará a atenção devida.

14.8.11  
Anonymous Anônimo disse...

O navio que aparece na cena final de Bela Donna não é o Mara Hope de Fortaleza

2.1.13  
Anonymous Anônimo disse...

linda crônica me encantou realmente, ñ só pelo fato de eu ser apaixonada por este tipo de matérias navios, castelos, casas antigas tudo que envolva o passado.

22.2.13  

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