Suaveolens

Este blog foi criado por um cearense apaixonado por plantas medicinais e por sua terra natal. O título Suaveolens é uma homenagem a Hyptis suaveolens uma planta medicinal e cheirosa chamada Bamburral no Ceará, e Hortelã do Mato em Brasília. Consultora Técnica: VANESSA DA SILVA MATTOS

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Cearense, nascido em Fortaleza, no Ceará. Criado em Ipueiras, no mesmo estado até os oito anos. Foi universitário de agronomia em Fortaleza e em Recife. Formou-se em Pernambuco, na Universidade Rural. Obteve o título de Mestre em Microbiologia dos Solos pelo Instituto de Micologia da Universidade Federal de Pernambuco. Também obteve o Mestrado e o Doutorado em Fitopatologia pela Universidade de Brasília. Atualmente é pesquisador colaborador da Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária da Universidade de Brasília.

30.12.12

POR TODOS NO NASCEDOURO



José do Vale Pinheiro Feitosa

Olhe a palha. O leito. A cocheira geradora de dois mil anos. Tantas estrelas guias. E homens trouxeram do nascedouro semita da mesopotâmia, pelas águas do Rio Vermelho, ou pelo braço hoje rasgado pelo canal de Suez a mirra, o incenso e o ouro. A imortalidade, a espiritualidade e a materialidade.   
E tudo repousava sobre a palha do nascedouro. E ali mesmo a imortalidade, a espiritualidade e a materialidade se fundiram na mensagem única: o amor. Tão gasto, repetido como apenas sons, sem que o metabolismo fisiológico, ideológico e político possa transformar em continuidade de cada fragmento da respiração e dos batimentos do coração.
O amor se perde na narrativa cotidiana do viver e se reencontra na revelação de cada ato ou ação. Assim como ele se banaliza no dicionário e suas inúmeras acepções, rubricas, derivações e diacronismos. Mesmo os romanos que fundaram a palavra não conseguiram traduzir o significa do amor como nascido naquela palha de berço.
É que as palavras não são apenas um tijolo estático, elas guardam a dinâmica do desenrolar dos fatos. E Herodes em sua mortalidade frágil e enciumada ao matar crianças, transformou o símbolo da homenagem adivinhadora dos magos numa ação de amor.
A rota da fuga dos pais de Jesus desde Belém, hoje com 30 mil habitantes, e encravada no centro da Cisjordânia, até a cidade do Cairo. Pelos desertos, margeando o Delta do Nilo e chegando ao Cairo. Era o Império Romano, mas lá Herodes não tinha força de mandar cassar o mandato dos fundadores do cristianismo.
O amor é a humanidade transformada numa seiva perfumada. É o estrato de seu modo de ser no mundo. Mesmo se corrompido por alguma regra do tempo, o amor tem a regra universal e imorredoura das pupilas abertas para o aqui e agora e tem na retina a impressão de sua seiva como parte inseparável e necessária do mundo. E a humanidade não se divide em partes individuais, o indivíduo só pode se conceituar como humano.
Mas hoje os evangelistas do amor não mais poderiam mover-se em livre circulação. Um muro cerca a Cisjordânia. A Sagrada Família é barrada todos os dias por altas muradas que as trombetas de Josué são incapazes de por abaixo. Os soldados armados de Israel jogarão bombas de efeito moral e levarão preso ao carpinteiro José por desobediência e ameaça ao Estado de Israel.  


Ilustrações: site geocities.com/.../simbolosdonatal.htm

José do Vale Pinheiro Feitosa – nascido na cidade de Crato, Ceará, em dezembro de 1948, morando no Rio de Janeiro há 34 anos. Médico do Ministério da Saúde. Publicou o Romance Paracuru em 2003, assina matérias em alguns blogs e jornais. Em literatura agita crônicas, contos, poesia e ensaios de temas variados. Gosta de pintar e tem alguns trabalhos de escultura.

1 Comentários:

Blogger Jean Kleber disse...

Bem vindo José do Vale. Obrigado!

30.12.12  

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