Suaveolens

Este blog foi criado por um cearense apaixonado por plantas medicinais e por sua terra natal. O título Suaveolens é uma homenagem a Hyptis suaveolens uma planta medicinal e cheirosa chamada Bamburral no Ceará, e Hortelã do Mato em Brasília. Consultora Técnica: VANESSA DA SILVA MATTOS

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Local: Brasília, Distrito Federal, Brazil

Cearense, nascido em Fortaleza, no Ceará. Criado em Ipueiras, no mesmo estado até os oito anos. Foi universitário de agronomia em Fortaleza e em Recife. Formou-se em Pernambuco, na Universidade Rural. Obteve o título de Mestre em Microbiologia dos Solos pelo Instituto de Micologia da Universidade Federal de Pernambuco. Também obteve o Mestrado e o Doutorado em Fitopatologia pela Universidade de Brasília. Atualmente é pesquisador colaborador da Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária da Universidade de Brasília.

15.2.12

QUANDO O SOL FOI VAIADO

Por
Bérgson Frota
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São coisas do Ceará, haveria de dizer quem ouvisse tal estória, mas foi, o sol foi vaiado há 70 anos e justo na “Terra do Sol”.
O cenário, início de uma manhã cinza e lenta de sexta-feira, 30 de janeiro de 1942.
A Praça do Ferreira estava movimentada, com seus bancos lotados, costume na época, nas bancas os jornais a estampar as últimas notícias da guerra.
Naquele folclorico dia Fortaleza amanhecia pela segunda vez nublada, e tudo a indicar que naquela ainda pequena, bucólica e distante capital de província, se viveria mais um dia frio, com céu prestes a ribombar de trovões e certamente a seguir uma grande chuva.
Na época, o povo gostava do bem vestir, e o fazia à moda européia. Paletós e chapéus aos cavaleiros, a as belas donzelas traziam uma bem recomendada sombrinha de abas bordadas, matronas ainda a usar chapéus copiados ou vindos de estoques já passados da moda parisiense.
Todos portanto estavam envolvidos numa fria, confortável e desejável atmosfera européia.
Foi quando subitamente o sol apareceu, quase com um prazer vingativo, esquentando a apinhada praça e por conseguinte o resto da cidade.
Não demorou a vaia dada por inúmeras pessoas na Praça do Ferreira.
Ao aparecer, o sol frustrava um desejo a um prazer coletivo, gerando por segundos um sentimento de indignação vindo de toda a população da praça.
Naquele dia o sol foi o pior dos protagonistas. Foi ele rapidamente esquentando o dia e levando para longe a fria e desejada atmosfera setentrional.
As senhorinhas raivosas bem como toda a “elite” a ostentar seus negros paletós ,cartolas e chapéus, rápido procuraram abrigo em cafés e doceterias.
O dia foi do sol que se pôs no seu horário normal, também os dias seguintes voltou a brilhar por todo dia, talvez como rebeldia pela forte vaia levada, vaia que certamente jamais esperou.
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Nota : naquela época os jornais saíam à tarde , esta é a edição de O Povo do mesmo dia.
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Bérgson Frota escritor, contista e cronista, é formado em Direito (UNIFOR), Filosofia-Licenciatura (UECE) e Especialista em Metodologia do Ensino Médio e Fundamental (UVA), tem colaborado com os jornais O Povo e Diário do Nordeste, desenvolvendo um trabalho por ele descrito de resgate da memória cultural e produzindo artigos de relevância atual.

4 Comentários:

Blogger Jean Kleber disse...

Interessante abordagem de um fato histórico pitoresco e hilário da história do Ceará. Valeu, amigo!

15.2.12  
Anonymous Mariana Lopes disse...

Gostei da crônica, bem detalhada e criativa, da vontade de ler mais de uma vez sem se casar.

16.2.12  
Anonymous Pedro Ailton disse...

Gostei do trabalho, uma reportagem tardia de 70 anos, risos, mas as coisas da nossa terra são mesmo interessante. Amigo parabéns pelo texto, você como sempre é mil. Um feliz carnaval.


P.S. O livro é uma jóia. Obrigado.

17.2.12  
Anonymous Anônimo disse...

Um ótimo artigo, mais uma vez parabéns.

18.2.12  

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