Suaveolens

Este blog foi criado por um cearense apaixonado por plantas medicinais e por sua terra natal. O título Suaveolens é uma homenagem a Hyptis suaveolens uma planta medicinal e cheirosa chamada Bamburral no Ceará, e Hortelã do Mato em Brasília. Consultora Técnica: VANESSA DA SILVA MATTOS

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Local: Brasília, Distrito Federal, Brazil

Cearense, nascido em Fortaleza, no Ceará. Criado em Ipueiras, no mesmo estado até os oito anos. Foi universitário de agronomia em Fortaleza e em Recife. Formou-se em Pernambuco, na Universidade Rural. Obteve o título de Mestre em Microbiologia dos Solos pelo Instituto de Micologia da Universidade Federal de Pernambuco. Também obteve o Mestrado e o Doutorado em Fitopatologia pela Universidade de Brasília. Atualmente é pesquisador colaborador da Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária da Universidade de Brasília.

9.10.11

No tempo em que se via jumento

Por Bérgson Frota

Imagine hoje você numa cidade do interior, com ruas calçamentadas, praças arborizadas e uma igrejinha branca, cercada de um jardim com um longo patamar em frente, e mais adiante um cruzeiro.

De repente passam a riscar as pequenas ruas uma, duas e três motos. É dia, e logo param na rua central do mercado, próximo à calçada, juntando-se a outras mais, lá já estacionadas.

Bicicletas poucas são vistas. Artigo raro de outros tempos.

Agora se anda de moto, para onde quer que se vá.

Antes se via jumentos. O homem trazia os seus produtos neles, ou puxados por carroças por eles. Eram em grande quantidade, apinhando há tempos atrás às feiras sempre com cangalhas abarrotadas de frutas e outros produtos.

Hoje tudo se difere. O povo precavido pensa com cuidado ao atravessar uma rua. O ronco das motos parece um som ameaçador na vinda, no passar e na ida, até sumir em alta velocidade.

As cidades do interior já se habituaram aos carros e motos, muitas, diria mais a motos do que a carros.

Deste moderno meio de transporte se multiplicam em cada cidade mais e mais “pilotos” quase todos os dias. As motos servem como táxis se da rodoviária o passageiro levar pouca bagagem, e se muito, duas viagens. O transporte é feito de várias maneiras, criatividade é o que não falta.

É o “progresso”, talvez, mas preferia ainda ver pelo menos um jumentinho que no meu tempo de criança não raro se deparava com um, dois ou três, a trazer ou levar lenha, leite, palha ou mesmo a transportar pessoas indo e vindo da serra grande ou para qualquer outro lugar.

Hoje a bucólica imagem daquele ingênuo e pitoresco interior, que não conhecia parabólicas, que enchia as calçadas à noite de cadeiras para as conversas a varar madrugadas, some rápido.

E aquela gente que sabia na calma enganar o relógio, esticando o dia e alargando à noite, ah! Meu amigo, não verás jamais, é como se diz e ouve hoje, “isso era no tempo em que se via jumento”.

Bérgson Frota, escritor, contista e cronista, é formado em Direito (UNIFOR), Filosofia-Licenciatura (UECE) e Especialista em Metodologia do Ensino Médio e Fundamental (UVA), tem colaborado com os jornais O Povo e Diário do Nordeste, desenvolvendo um trabalho por ele descrito de resgate da memória cultural e produzindo artigos de relevância atual.

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NOTA DO BLOG: a foto que ilustra a crônica do ipueirense Bérgson Frota mostra uma figura folclórica da Ipueiras antiga, o Famoso Santu e seus jumentos de carga, ditos amestrados. A foto foi colhida no Facebook Ipueiras-Ceará .

2 Comentários:

Blogger Jean Kleber disse...

Uma preciosa crônica sobre um tempo que deixou saudades. Parabéns professor Bérgson!

9.10.11  
Anonymous Nayara Araújo disse...

Gostei da crônica, as motos são uma peste hoje nas cidades do interior, é uma pena, mas temos que constatar que o jumentinho está sendo atropelado pelo progresso, se é este o termo certo para tal fato.

10.10.11  

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